Crescimento
A raça bovina Alentejana apresentou entre a décadas de 70 e 90 do século XX um aumento acentuado do peso adulto, que atinge presentemente valores médios da ordem dos 600-700 Kg e
m vacas e 900-1100 kg em touros. Estes resultados são uma consequência do facto da raça Alentejana, sobretudo a partir da década de 70, ter sido seleccionada essencialmente para
a velocidade de crescimento, pelo que também se verificou um aumento de peso a outras idades, nomeadamente, entre os 7 e os 12 meses.
Curvas de Crescimento de Machos e Fêmeas por década de nascimento. Fonte: Carolino et al., 1993
(clique sobre a imagem para ampliar)
Apesar do elevado peso adulto da raça bovina Alentejana, o peso ao nascimento mantém-se com valores aceitáveis (35.4 kg nos machos e 32.1 kg nas fêmeas), razão pela qual normalmente não existem problemas de parto nesta raça. Na tabela abaixo apresentam-se as estatísticas descritivas dos pesos em diferentes idades, registando-se um peso adulto médio de 677.3 kg (pelo facto de 93% dos dados utilizados serem de fêmeas). A raça bovina Alentejana é, das raças autóctones Portuguesas, a que apresenta peso adulto mais elevado e também maior porte, registando-se em animais nascidos entre 1995 e 2000, valores médios de 920±52 kg para machos e de 630±41 kg para fêmeas.
Caracteres |
Nº |
Média |
Desvio |
Peso ao Nascimento |
10297 |
33.8 |
5.0 |
Peso ajust 90 dias |
2525 |
108.8 |
20.9 |
Peso ajust.210 dias |
7859 |
213.1 |
42.1 |
Peso ajust 365 dias |
2661 |
323.7 |
88.8 |
Peso Adulto |
2541 |
677.3 |
87.8 |
Estatísticas descritivas dos pesos em diferentes idades. Fonte: Carolino, 2006
Animais nascidos entre Janeiro e Abril, em média, apresentam um peso ajustado aos 3 meses mais elevado do que animais nascidos nos restantes meses, enquanto animais nascidos no Inverno
apresentam, relativamente a animais nascidos na Primavera ou no Verão, uma superioridade média entre 12.5 kg no peso ajustado aos 210 dias, podendo esta diferença atingir os 22.8 kg, quando
comparados os pesos de animais nascidos em Dezembro e Maio. Estes resultados parecem indicar que os animais nascidos no Inverno beneficiam durante os primeiros meses de vida de um ambiente
favorável, já que este período coincide com a Primavera, o que, em anos normais, lhes proporciona melhores performances de crescimento que se reflectirão no peso ao desmame (7 meses),
sofrendo depois os efeitos adversos do Verão e Outono com reflexos negativos no peso ao ano de idade. Inversamente, os vitelos nascidos no Verão ou no Outono são amamentados durante o
Inverno, com consequente quebra no peso aos 7 meses, recuperando, no entanto, com um bom crescimento pós-desmame durante a Primavera e, consequentemente, apresentam um peso ajustado ao
ano de idade mais elevado.
O sexo do animal também tem um importante efeito no peso em todas as idades, com superioridade nos machos de cerca de 3.4 kg ao nascimento, 6.4 kg aos 3 meses, 24.4 kg aos 7 meses, 65.6 kg ao ano e 236.0 kg em adulto, o que corresponde, relativamente ao valor médio da cada característica, a uma superioridade respectivamente, 10.0%, 5.9%, 11.4% 20.3% e 34.8%.
Caracteres |
Média |
DP |
CV % |
Min. |
Max. |
Ganho médio diário (g/dia) |
1253.52 |
202.18 |
16.13 |
551.00 |
2076.90 |
Índice de conversão (kg/kg) |
6.11 |
1.51 |
24.77 |
3.25 |
14.98 |
Ingestão Diária (kg/dia) |
7.40 |
1.75 |
23.68 |
4.41 |
14.22 |
Taxa cresc. relativo(%/dia) |
0.34 |
0.09 |
27.20 |
0.12 |
0.70 |
Estatísticas descritivas(a) dos caracteres avaliados nos testes de performances em estação
(a)DP=desvio padrão, CV=coeficiente de variação, Min.=mínimo, Max.=máximo, Taxa de crescimento relativo = (log(peso vivo final)-log(peso vivo inicial))/duração, que
representa uma aproximação do aumento médio diário de peso do animal, expresso proporcionalmente ao seu peso vivo